Voltei.
Ao mesmo de mim, que me preocupo em deixar para trás, e me assusta tanto que assim seja.
Voltei.
Ao mesmo de ti, quando tenho a tua ausência em todas as minhas perguntas camufladas de indiferença e orgulho. Queria muito acelerar o passo, ultrapassar-te e esquecer-me que um dia corremos a mesma corrida. Queria tanto que o espaço e o tempo não pregassem esta partida, de chegar tarde para te ter, de chegar depois de alguém, que tu gostas mais, independentemente de amares pior.
Suspeito já nem me amar a mim o suficiente, porque recuava aos momentos que foram aqueles e que trouxeram depois tanto amargo à minha boca. Voltava à pele dos dedos quando não se cansavam de tocar nestas teclas que temos pelo corpo, e ao conforto e segurança do peito, e da respiração. Voltava até ao mais baixo que desci, ao prazer que a companhia me deu, mesmo sendo eu só uma a mais. Voltava àquela noite, em que olhaste para mim, e eu achei que me tinhas visto. Aquela primeira, em que um cigarro, sozinhos na rua, me aqueceu a alma como nunca antes. E ouvi as palavras como as queria ouvir e nem sabia que existiam.
Há dias, em que voltava a esse cigarro, a essa rua e a nós, e fazia tudo exactamente da mesma maneira.
Há outros, em que voltava a essa noite e a ti, mas apagava o cigarro, devolvia-te o casaco e ia-me embora. É que agora. Voltei. Voltei ao mesmo de ti. E custa tanto manter-me de pé. Segurar as palavras, e brincar ao faz de conta.
Faz de conta que te ultrapassei na corrida.
15 de Agosto de 2008
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