Quero o mais simples. Um copo de leite branco frio, e acordar a ser a mesma. Quero dias semelhantes e o conforto do mesmo abraço, do mesmo sexo. Quero a mesa posta sem formalidades num campo qualquer, a ouvir latir os cães, conversas com compaixão, com odor a família. Ser pouco, mas ser grande, ter pouco, sem precisar de mais. Quero ter tudo, desejando sempre pouco, contentando-me com os pés na areia fria daquelas praias. Ter a coragem de rir alto, chorar à frente dos outros. Quero a liberdade de quem a nada, ou pouco, obedece. A sensação de calma, de satisfação, de uma finitude que existe, mas não é assim tão mal amada.
Vs
Quero as palavras e os sentidos mais complexos, as especiarias mais raras e acordar cada dia de forma divergente. Quero o meu corpo a nu mais vezes, e toques de mãos vindas de pessoas diferentes. Quero ser servida à mesa e servir à mesa, dormir entre animais e em camas de hotel. Ser muito, mas discreta. Fazer e experimentar tudo. Conversar. Quero as sensações mais extremas, desde o medo ao mais elevado êxtase. Ter a elegância de me levantar após a queda. Sair porta fora, e ter a força de me conter na alegria e na tristeza. Quero as luzes da cidade, o odor a gente, as mãos no corrimão do eléctrico. Penso em palcos e em ser plateia, penso em aplausos sentidos. Quero sentir-me menos presa ao que tento apenas ser. A sensação de euforia, de satisfação, de uma finitude que existe, e que me faz arrepender do que ainda não fui, e sei, que nunca vou ter a coragem de ser.
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