Eras a pessoa mais parecida comigo nas nossas infindáveis diferenças. Tínhamos uma paixão inata por coisas estranhas e por coisas bonitas. Partilhávamos o facto de não nos contentarmos muito com qualquer coisa. E também partilhávamos um perdão fácil a quase tudo. Gostávamos de ter razão e lutámos muito por isso. Às vezes juntas, às vezes uma contra a outra. Mas nunca nos custou muito admitir quando estávamos erradas, pois não?
Era tão fácil gostar de ti. Não eras ausente de defeitos, como ninguém é. Mas admito que até os teus defeitos me fizeram sempre rir. A forma como te encostavas ao balcão enquanto púnhamos a mesa despertava em mim uma série de sensações e tu sabias que sim, às vezes. A tua forma desajeitada para te pintares ou para arranjares o cabelo, a falta de jeito para tudo o que eram trabalhos manuais convertia-se em jeito natural para outras coisas que tu tanto gostavas. A fotografia era um exemplo. E depois despertavas em mim um instinto maternal com esta falta de jeito. Gostavas tanto da minha massinha com frango. Nem questiono se te lembras porque acho que é impossível esqueceres. E as vezes que te tirei as lentes de contacto ou que fiz o risco preto nos teus olhos verdes.
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