terça-feira, 30 de agosto de 2011

IX

Lembras-te como é que explicávamos o conteúdo de uma coisa a alguém que não o entendia?

Olhávamos uma para a outra, impotentes, e pensávamos sem precisar falar: "Como é que é possível?".

E nem nunca nos sentimos mais por isso. Na maioria das vezes ficámos tristes.

Mas ao menos, tínhamos o conforto uma da outra. Eu sabia que tu encontravas conteúdo até nas coisas mais insignificantes que eu te pudesse mostrar. Até na cena daquele filme que quase ninguém gostava. Naquela música estranha que ninguém ouvia. Na fotografia que tu tiravas. Naquele momento que era só mais um.

E quando me aconselhavas alguma coisa, era a primeira que eu ia ver. Quando dizias não valer a pena, a minha vontade esmorecia.

Quando digo que tenho saudades tuas, não são só saudades de quando existias. São saudades da tua forma de pensar, daquilo que tu fazias e de como fazias. Saudades do que eu podia ser contigo. E tu, que podias ser o que quisesses comigo.

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