domingo, 7 de agosto de 2011

IV

Já lá vão 3 dias. Adormeço com medo. Tento agarrar-me a ti, ao que te aconteceu, para me tornar melhor. Fazer jus ao que te foi tirado. Mas ainda não consigo. Só sei fumar cigarros e beber cafés. Não consigo estar com os meus pais e a tentativa deles por me animarem desta apatia. As coisas não têm cor e não tenho vontade. Só me quero rodear de ti, da tua imagem, da tua música e dos nossos amigos. Por falar em amigos, deixa-me contar-te sobre aquele dia. Se nos conseguisses ver ias chorar como nós te chorámos e também te ias rir com a ironia de alguns momentos. Obviamente que não tocámos o “Vamos à La playa” como tínhamos conversado. E sabes bem que não fazia o menor sentido. Eras um gato no que diz respeito à água da praia. Não pusemos música nenhuma. O buraco que temos no peito não nos deu forças para colocar o plano em acção. Mas temos posto a tocar as tuas músicas. Há poucas que não me lembrem de ti. Pomos as músicas e não nos ralamos se se torna masoquista ou não. Nada pode ser pior que a tua ausência. E trazemos-te mais perto assim.
Foi com tanto amor. A forma como as pessoas se abraçaram por ti foi com muito amor. Voltaram a unir-se laços outrora desfeitos e tudo pela saudade que já se sentia de ti. Foram momentos inconsoláveis e o teu corpo ali tão perto.

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