Não fiquei à espera de nada. Não quis mais nada.
Mas penso.
Que amor é este que nos assola agora? Parece um amor com prazo de validade. O meu acabou. Nunca o mandei embora. O teu foi por ti recusado, passou do prazo.
E já não lutamos mais. Já não nos chegamos ao ouvido para dizer: "Não, não vais a lado nenhum. Eu estou aqui sempre. Eu fico aqui para sempre."
Já só nos deixamos ficar por nós. Cada um em si, e lamentamos. Podemos até chorar, dar uns murros na parede, magoar o corpo que nem tem culpa nenhuma.
Mas depois, ele vai-se embora.
Mandaste-o embora.
E a rapidez. A perfeita rapidez com que ele volta, cheio de tudo mais uma vez. De palavras, de metáforas. O amor de outra pessoa.
E penso: "Ainda bem que o meu acabou. O teu não era assim tão grande. Assim tão exclusivo."
E não quero mesmo nada. Mas tenho pena do amor.
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