Sabes... é agora. Que o frio nunca mais acaba. Que os teus avós ficam antigos e morrem. Que os teus melhores amigos passam dias sem se lembrar de ti. Que aquele homem que fazia sentido encontra outra direcção. Que a pele nunca mais escurece ao sol. Que fazes contas à vida, que pões os pesos na balança. Sabes... é já. Que não há voltar atrás. Que os teus olhos sabem mais do mundo, do cheiro, do toque. Que as conversas de antes trazem melancolia, sem desejo, mas com saudade. Que os teus pais tornam-se cansados. Que os seus conselhos são duros, por serem verdade. Por revelarem tanto acerca da solidão que há-de vir. Sabes... é neste momento. Que fechas os olhos, que não sentes nada. Que não choras. E ris porque sabe-te bem rir de ti mesmo. Tu sabes, não sabes? Que de ambivalências vivemos nós. No sim, no não. E não me respondas talvez. Talvez é adiar que sim, adiar que não. É temporário. No cá, no aí. E não me respondas a meio caminho. A meio caminho só estamos longe: do cá, do aí. E nunca estamos realmente em lugar algum.
Sabes... talvez seja assim. Que nos tornamos invisíveis, que somos memórias. Talvez. Até agora. E tu já sabes... ou que sim. Sem existir o ou que não.
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