segunda-feira, 18 de junho de 2012
XVII
Passou um ano neste quarto escuro. Mais escuro depois de ti. Sei ao segundo o momento em que me vieram dizer. Tenho decorados os passos que dei até me mandarem sentar, aquele arrepiar da pele, aquele frio, que ainda sinto. Ainda penso todos os dias. Às vezes só com saudade de te ter, na maioria, com a raiva de já não estares cá. Ainda não te aceito aí, quando a minha vida continua, e faço isto e aquilo, vou aqui e ali. E tu não. Tu já nunca estás comigo, só na memória, só nos meus desejos. Vejo os teus vídeos, vejo fotografias. E já são sempre as mesmas. Desde há um ano, vais ser sempre a mesma. Sempre com 22 anos, sempre sem a dieta que ias tentando, sem trabalhares na Austrália, sem conheceres o mundo, sem teres uma biblioteca e uma sala de cinema em casa, sem teres aulas de tango,sem teres um filho. Vais ser sempre a mesma. E eu que tenho tanto para me lembrar de ti, acho que não chega. Vou chorar sempre mais por ti do que por mim. Porque não tiveste mais tempo.
Se eu pudesse, dava-te metade do meu. Sem olhar para trás.
Porque sinto falta de ti. O meu coração continua no mesmo sítio, mesmo que o corpo esteja num sítio onde tu nunca estiveste.
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