Agora, com certeza.
Estou a apagar-me. Dia-a-dia. De mês para mês. De há quase 3 anos. Estou a apagar-me. Já não faço parte do café. De um casal. Da conveniência. Da casa de um amigo. Do jantar da universidade. Vai sobrando o ´Olá´porque estás. A falta de assunto. Os dois beijos na cara. O ´fico em casa porque estou com a única pessoa que preciso. No sofá. E aqui está quente.´. Há qualquer coisa a menos. E se vos perguntar respondem-me que é tempo que vos falta. Que o trabalho é cansativo. Que amanhã acordo cedo. E eu respondo, honestamente, ´Está bem, eu compreendo´. E depois vou no carro a pensar. Será que compreendo? Será que é falta de tempo? Ou no fim de contas é só tempo a mais. Ela há-de cá voltar. O filme há-de dar para fazer o download. O restaurante ainda não fechou. A exposição ficava longe e afinal não era assim nada de especial - disse um amigo meu. As estradas são as mesmas. A Arrábida este ano não ardeu. Quem é que se casa primeiro?
Ninguém vai beber café. Mas tenho-te a ti. E basta-me. Calhe-nos a sorte de ser sempre assim.
Estou a apagar-me. Mas ninguém me apagou. Com propósito. Com maldade. É que como não estou, o hábito é não estar. A rotina faz-se ausente de mim. E depois não faço mais falta. Genuinamente, o tempo que é muito faz-se sem mim. E quando eu volto, o tempo que é pouco não aviva a memória. Não vos faz voltar a ver. Genuinamente, sem propósito, sem maldade.
Tenho inveja e saudade. Que me trazem cá, mas destroem cada vez mais. Pergunto-me: Onde é que eu estou agora?
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