não te vou dizer que não. Não te vou condenar pelo que comes a mais, ou se mentiste, omitiste. Não vou ficar a pensar se traíste alguém, alguma coisa ou tu próprio. Cá dentro eu não te vou proibir de fazer o que vais acabar por fazer na mesma. Não vou falar contigo como se a verdade fosse só minha, como se a razão me pertencesse. Aqui, sem ninguém saber, não vou julgar os teus segredos, não vou fazer birra porque os tens, sem eu saber quais são. Não te vou encher de perguntas, a menos que queiras que eu as faça. De vez a vez vou afagar-te o cabelo, mesmo quando magoaste alguém, mesmo que não estejas arrependido, mas a consciência te arranhe o corpo. Cá dentro, vou deixar-te falar da boca para fora, exagerar, explodir. Vou perdoar o teu mau feitio, os acessos de raiva e também a felicidade que for superior à minha. Vou ficar calada quando te ouvir falar mal de alguém, mesmo que tenhas razão, mesmo que não tenhas razão. Aqui dentro podes ser estranho, gostar de coisas esquisitas, repugnantes. Podes falar pouco, ser invejoso, não gostar de mim. Cá dentro de mim, sou anormalmente humana, mas ninguém sabe. E tu, também. E não tenho a pretensão de ser mais, basta-me que sejas o que realmente és.
Queria que fossemos todos mais humanos, mais básicos, mais condescendentes, mais verdadeiros. Connosco, para começar.
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