Como é que levaste este segredo contigo? Como é que conseguiste? Sinto-me de gatas no chão, de olhos vendados, à procura da ponta de alguma superfície, da ponta da verdade.
Eu sei que não tenho de a encontrar, à verdade. Mas quero. Não sei se sabendo o que falta me ia sentir mais perto de ti. Eu sei que não esperavas morrer ali, naquele dia, daquela maneira. Eu sei que não escondias um segredo para sempre. Mas porque é que não insisti mais? Como é que me contentei com uma fotografia, um nome? E os teus telefonemas, para quem eram? Porque é que a curiosidade não me consumiu antes?
Penso em ti todos os dias. E às vezes tenho de lembrar a mim mesma que já não estás comigo. Agora procuro e-mails antigos, procuro pessoas que nem sei se existiram. Procuro por ti, à procura de uma prova, de um sinal qualquer que me diga a verdade.
Tenho a tua vida toda decorada. Menos uma verdade. Menos um homem, que eu nunca vou descobrir quem é. Só para lhe perguntar,
"Estás bem?".
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