domingo, 15 de julho de 2012

Balança

, que pesa o mesmo para os dois lados. Sem tendência, sem se mexer. Preciso de ti, território neutro, sentir pele de galinha sem medo. Já não sei estar ali ou cá. Sinto a nossa falta, que não tinha esta ansiedade,este custar a inspirar. Sinto a nossa falta,quando havia tempo,quando não pensávamos no tempo. Sinto a minha falta, quando não havia prazo de validade, quando as pessoas não morriam. Sinto a tua falta, a tua pele vermelha do sol, os teus olhos mais verdes do sol e da água salgada. Dos teus atrasos. Eras sempre a última. Porque é que não foste a última desta vez? Diz-me para ter calma, como antigamente. Diz-me que vai ficar tudo bem. Obriga-me a ter calma.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A vela apagou-se. Fiquei às escuras. Ninguém a apagou com um sopro, ninguém a colocou ao vento, ninguém lhe tocou. A cera é que acabou. Ficou só a que secou enquanto escorria pelo castiçal. Do pavio sobrou um resto. Aquele que não pode queimar mais. Fico surpresa, como se não estivesse à espera que fosse assim. Estava? Sim, mas não estava preparada. Continuo a pegar no isqueiro, ofereço lume ao pavio. Ele acende-se, mas a chama já não dura mais que 2 segundos. Sinto falta, daquela luz que me aquecia.