quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Arma e copo

O problema não está só na alma, ou só no corpo. Quando a alma é grande, custa chegar ao corpo, não vá ele partir-se, desfazer-se à nossa frente. E tem-se medo que a alma que se esconde no corpo se desfaça também. E depois nem alma, nem corpo, nem nada.

Se a pele dos meus dedos se fundisse na tua pele e se o coração fosse arrastado a todas as extremidades do corpo, ficaria a alma intacta?

Em que é que o prazer próprio se aproxima da outra alma, senão da nossa?
Quando é que a alma se deixa tocar como do corpo se tratasse?

Alma. Corpo. Arma. Copo cheio.

Só se vai pela alma quando não há armas pelo corpo. Só se vai pelo corpo quando a alma é um copo vazio.

E já não consigo aceitar, que exista conformidade.
Ou sobrevive a alma. Ou sobrevive o corpo.

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