Vá de olhar ao espelho. E encontrar no corpo alguma paixão abandonada. A marcar a pele, daquela forma que até levamos ao médico para nos descansar a sensatez e dizer que está tudo bem, que é normal. Não vai desaparecer, mas também não fica maior se não se puser a esgaravatar. Olhamos para o abandono todos os dias, às vezes passamos só a mão, quando achamos que não temos tempo.
E andamos assim, todos cheios de paixões abandonadas. Algumas conseguimos tapar com a roupa. Os menos afortunados andam com elas à mostra e toda a gente as vê. Mas não faz mal, já ninguém diz nada. Parece que nos habituámos a abandoná-las. Sem querer. Ou deliberadamente.
Depois há quem chegue ao fim do dia e respire de alívio. Não era uma paixão abandonada. Afinal era só uma zona de pressão na pele. Por se ter ficado muito tempo na mesma posição.