segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Apagões
Gostava que fossemos como aqueles apagões. Quando falta a luz e até se ouve o mundo a desligar. Gostava que fossemos assim, que nos palpitasse o coração à procura de uma lanterna ou de uma vela e um fósforo. Gostava que fossemos como aquela incerteza do tempo que vai demorar até que a luz retorne, aquele desejo profundo que demore muito tempo, porque estamos bem assim. Gostava que ficássemos sem luz, que voltasse apenas quando precisássemos dos outros, para além de nós.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
XII
Penso em ti.
E às vezes imagino a tua reacção a coisas que eu te pudesse contar ou mostrar agora.
Ainda tenho a tua cara decorada, a tua expressão e o teu riso. E sou humana, faço perguntas.
"Porque é que foste tu?"
Estou cada vez mais inundada de coisas que só fazia sentido partilhar contigo. E só tu dizias "Tu sabes Laura...é aquela coisa".
E eu sabia, com o carinho de nos termos uma à outra como testemunha.
E às vezes imagino a tua reacção a coisas que eu te pudesse contar ou mostrar agora.
Ainda tenho a tua cara decorada, a tua expressão e o teu riso. E sou humana, faço perguntas.
"Porque é que foste tu?"
Estou cada vez mais inundada de coisas que só fazia sentido partilhar contigo. E só tu dizias "Tu sabes Laura...é aquela coisa".
E eu sabia, com o carinho de nos termos uma à outra como testemunha.
sábado, 5 de novembro de 2011
Perdemo-nos.
Quando tentamos ser aquilo que achamos que somos. E aquilo que gostávamos de ser. Quando dizemos as palavras que achamos que querem ouvir. Quando gesticulamos sozinhos, mas pensando que alguém pode estar a ver. Como em palco. Com audácia. Perdemo-nos. Quando dizemos que sim e queremos dizer que não. Quando controlamos o corpo extasiado de alegria, só porque não nos permitimos tê-la mais: a alegria. Quando olhamos para trás constantemente,com medo de perder a memória. E enganamo-nos. E perdemo-nos. De nós, e dos outros. Quando deixamos de conseguir estar sozinhos, por debaixo de uma vela, como agora.
Continuamos assim. Sempre à procura de alguma coisa. Do caminho de volta, por onde a chuva já desfez o trilho. E atravessam agora ervas daninhas difíceis de arrancar.
Todos os dias, sujar as mãos, arrancá-las. É-me suficiente. Não me encontro, mas não me sinto tão perdida.
Continuamos assim. Sempre à procura de alguma coisa. Do caminho de volta, por onde a chuva já desfez o trilho. E atravessam agora ervas daninhas difíceis de arrancar.
Todos os dias, sujar as mãos, arrancá-las. É-me suficiente. Não me encontro, mas não me sinto tão perdida.
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